BÓSNIA-HERZEGÓVINA - ASPECTOS GEOGRÁFICOS E SOCIAIS


GEOGRAFIA: Área: 51.129 km². Hora local: +4h. Clima: temperado continental. Capital: Sarajevo. Cidades: Sarajevo (360.000) (1997), Banja Luka (143.079), Zenica (96.027), Tuzla (83.770), Mostar (75.865) (2011).

POPULAÇÃO: 4,2 milhões (2011); nacionalidade: bósnia; composição: servo-croatas 92,3%, outros 7,7%. Idioma: bósnio* (principal). Religião: islamismo 60%, cristianismo 35% (ortodoxos 17,6%, católicos 17,2%, outros 0,2%), sem religião e ateísmo 5%.

RELAÇÕES EXTERIORES: Organizações: Banco Mundial, FMI, ONU. Embaixada: 2109, E Street NW, Washington D.C. 20037, EUA; e-mail: info@bosnianembassy.org, site na internet: www.bosnianembassy.org.

GOVERNO: República parlamentarista, com Presidência rotativa tripartite, representada por um bósnio muçulmano, um bósnio-croata e um bósnio-sérvio (sob supervisão internacional). Div. administrativa: Duas entidades políticas independentes (República Sérvia e Federação da Bósnia), subdivididas em 100 distritos. Partidos: da Ação Democrática (SDA), da União Democrática Croata da Bósnia-Herzegóvina (HDZ), Democrático Sérvio da Bósnia-Herzegóvina (SDS), para a Bósnia-Herzegóvina (SbiH). Legislativo: bicameral – Casa dos Povos, com 15 membros; Casa dos Representantes, com 42 membros. Constituição: 1995.

Sarajevo
Chamada de pequena Iugoslávia por sintetizar a diversidade etno-religiosa da antiga nação balcânica, a república da Bósnia-Herzegóvina foi palco do mais violento conflito de desagregação da federação iugoslava, entre 1992 e 1995. Os confrontos deixaram cerca de 200 mil mortos e 2,5 milhões de refugiados, o maior contingente em solo europeu desde a II Guerra Mundial. A paz ainda é frágil, razão pela qual cerca de 20 mil soldados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) permanecem no país. Apesar de avanços, como a introdução, em 2002, de uma carteira de identidade comum, duas entidades que compõe o país, a República Sérvia (sérvia) e a Federação da Bósnia (muçulmano-croata), mantêm forças armadas separadas.

HISTÓRIA
Na Antiguidade, a região é habitada por celtas e ilírios. A partir do século VI, povos eslavos ali se instalam. No século XI, a região cai sob domínio húngaro, até se estabelecer, no século XIII, um reino próprio. Em 1463, o território é anexado pelo Império Turco-Otomano. A maioria da população eslava local se converte ao islamismo, mas permanecem importantes comunidades ortodoxas (sérvios) e católicas (croatas). Em 1878, a Bósnia-Herzegóvina é colocada sob tutela do Império Austro-Húngaro. A anexação formal se dá em 1908. Radicais sérvios lançam uma campanha terrorista contra o domínio austríaco, que resulta no assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono da Áustria, por um estudante sérvio na capital, Sarajevo, em 1914. É o estopim da I Guerra Mundial.

Formação da Iugoslávia - A Bósnia-Herzegóvina é incorporada, em 1917, ao Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos, que em 1929 passa a se chamar Iugoslávia. O país é ocupado pela Alemanha na II Guerra Mundial. Os comunistas, liderados por Josip Broz Tito, organizam a resistência aos nazistas, apoiados pelos aliados. Após a derrota nazista, a Bósnia se transforma em uma das seis repúblicas iugoslavas sob o governo comunista de Tito. Sua morte, em 1980, faz ressurgir o nacionalismo sérvio. No fim dessa década, conflitos étnicos motivados pela desagregação do bloco socialista provocam anseios separatistas. Nas primeiras eleições livres da Iugoslávia, em 1990, emergem partidos nacionalistas que representam os principais grupos étnicos da Bósnia: sérvios, croatas e bósnios muçulmanos. Forma-se um governo multiétnico, sob a Presidência do bósnio muçulmano Alija Izetbegovic.

Desagregação - Em outubro de 1991, o Parlamento bósnio declara a independência da Bósnia-Herzegóvina. A minoria sérvia não aceita. Seus representantes rompem com o Parlamento e anunciam a intenção de permanecer na Iugoslávia ou em uma Grande Sérvia, que incluiria a Sérvia e partes da Bósnia-Herzegóvina e da Croácia. Para resolver a crise, o governo bósnio convoca um plebiscito em 1992, boicotado pelos sérvios. A independência é aprovada e reconhecida pela União Européia (UE) e pelos Estados Unidos (EUA). O país mergulha na guerra.

Guerra da Bósnia - O conflito opõe sérvios a uma aliança muçulmano-croata. Os sérvios praticam a limpeza étnica como estratégia de guerra: expulsam grupos rivais das áreas sob sua ocupação, chacinam civis e estabelecem campos de concentração. Croatas e bósnios muçulmanos também cometem massacres, mas em menor escala. O país pede intervenção externa, mas recebe apenas ajuda humanitária. Em 1993, a Croácia entra na guerra e reivindica parte do território bósnio. Depois, volta-se contra a Sérvia. Com o agravamento do conflito, a Organização das Nações Unidas (ONU) envia uma força de paz. Em 1993, os sérvios passam a dominar 70% do território bósnio.

Acordo de paz - Em agosto de 1995, a Otan intervém no conflito e bombardeia posições sérvias. Seguem-se derrotas militares sérvias em Krajina (Croácia) e no território bósnio, que tornam a relação de forças mais equilibrada, facilitando a proposta de paz dos EUA. A guerra termina em novembro de 1995. O Acordo de Dayton, assinado em dezembro, prevê a manutenção da Bósnia-Herzegóvina nas atuais fronteiras. O Estado é dividido em duas entidades semi-autônomas: a República Sérvia (49% do território) e a Federação da Bósnia, muçulmano-croata (51%).

Primeiras eleições - Nas primeiras eleições gerais após a guerra, os bósnios escolhem, em 1996, um Parlamento nacional, os legislativos das duas entidades e representantes da Presidência coletiva, formada por um sérvio, um croata e um bósnio muçulmano, que se revezam no cargo. Líderes nacionalistas são escolhidos para a Presidência coletiva. No mesmo ano, o Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPI) indicia Radovan Karadzic, presidente da República Sérvia da Bósnia-Herzegóvina, por responsabilidade no genocídio de muçulmanos. Sob pressão internacional, Karadzic renuncia em julho. Em dezembro, a ONU estende o mandato das tropas da Otan, que passam a se chamar Força de Estabilização (Sfor). Em 1999, mediadores internacionais determinam que o controle da disputada cidade de Brcko – até então sob administração sérvia – deve ser partilhado. O governo multiétnico toma posse em Brcko em abril. Sentenças do TPI Em março de 2000, o TPI condena o general Tihomir Blaskic a 45 anos de prisão por crimes contra a humanidade. No mês seguinte, as forças da Otan prendem o líder sérvio Momcilo Krajisnik, aliado de Karadzic, que permanece foragido. As eleições gerais de novembro de 2000, em que nenhum partido obtém maioria, refletem o delicado equilíbrio entre a representatividade das forças multiétnicas, favoráveis à integração, e as nacionalistas, contrárias à Bósnia unificada. As relações diplomáticas com a Iugoslávia (atual Sérvia e Montenegro) são reatadas no mês seguinte.

Nos últimos anos, diversos líderes dos grupos envolvidos na guerra da Bósnia são condenados pelo TPI. Em 2001, o tribunal determina 25 anos de prisão ao comandante bósnio-croata Dario Kordic, ex-presidente da União Democrática Croata da Bósnia-Herzegóvina (HDZ), por crimes de guerra e contra a humanidade. No mesmo ano, a ex-presidente da República Sérvia Biljana Plavsic, acusada de genocídio, entrega-se espontaneamente ao TPI e, em 2003, é condenada a 11 anos de prisão, passando a ser a mais alta autoridade sentenciada pelo tribunal. Também em 2003, o comandante muçulmano em Srebenica durante a guerra, Naser Oric, é preso e acusado, no TPI, de crimes de guerra contra os sérvios. Em junho de 2004, o líder sérvio Radovan Karadizic, acusado de crimes contra a humanidade, consegue mais uma vez fugir ao cerco da Otan e se esconder na região da cidade de Pale.

Nacionalismo - As forças nacionalistas saem vitoriosas nas eleições de 2002 para a Presidência tripartite do país, os legislativos locais e para o Parlamento nacional. A Presidência rotativa da Bósnia fica com o nacionalista sérvio Mirko Sarovic, do Partido Democrático Sérvio da Bósnia-Herzegóvina (SDS); Dragan Covic, croata tido como moderado dentro do HDZ; e o nacionalista bósnio muçulmano Sulejman Tihic, do Partido da Ação Democrática (SDA). O índice de abstenção, de 55%, é uma das causas do sucesso dos nacionalistas e reflete, segundo analistas, a decepção dos bósnios com as instituições políticas.Em dezembro de 2003, Adnan Terzic (SDA) torna-se primeiro-ministro. Em abril, o presidente sérvio Sarovic renuncia depois de ser acusado de espionagem e envolvimento na venda de material militar ao Iraque, em violação ao embargo da ONU. Ele é substituído por Borislav Paravac, também do SDS.

Novas Constituições - Após os ataques terroristas contra os EUA, em 2001, o governo bósnio e as autoridades de ocupação ficam alertas para a ação de eventuais extremistas islâmicos. Em 2002, o alto representante da Comunidade Internacional na Bósnia-Herzegóvina, Wolfgang Petritsch, impõe novas Constituições para as duas entidades bósnias – a República Sérvia e a Federação da Bósnia. Ambas estabelecem igualdade de direitos políticos para bósnios muçulmanos, sérvios e croatas em todo o país. O político britânico Paddy Ashdown passa a ser o novo alto representante da Comunidade Internacional na Bósnia ainda em 2002. Suas prioridades são a luta contra a corrupção e o crime organizado. Em julho daquele ano, o presidente da Bósnia, o da Iugoslávia (atual Sérvia e Montenegro) e o da Croácia reúnem-se pela primeira vez, na tentativa de promover a cooperação entre os países. Um marco nesse esforço são a reconstrução e a reabertura da ponte sobre o rio Neretva, em Mostar, em julho de 2004, que simboliza a esperança de curar as feridas entre sérvios e muçulmanos provocadas pela guerra dez anos antes, quando a ponte havia sido destruída.

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